Conto: Distrópico (Parte 1)
Então, vejam bem, este é o primeiro conto que posto no blog. Antes de mais nada, quero deixar claro que o maior objetivo por trás da criação deste blog, foi para não apenas postar meus estudos de desenho mas também estudos de escrita, e eu estou considerando este conto como parte deste estudo. Sim, o texto nada mais é que uma parte de tudo o que venho praticado desde a criação deste blog, mas quero ver qual será o feedback para saber se prossigo ou não com esta história. Deixarei também algumas ilustrações (bem simples e tortas), apenas para ajudar na compreensão do leitor.
Distrópico
“Distopia: lugar ou estado imaginário em que se vive em condições de extrema opressão, desespero ou privação; antiutopia.”
-PARTE I-
O toque das cinco; como era de se esperar, as cortinas e janelas começavam a se abrir automaticamente, embora emperrassem sempre na metade do caminho. Mal batia a luz do sol pela janela e o despertador já maltratava os ouvidos do rapaz que despertara pensativo e ambicioso, embora aquela barulheira toda ainda o deixasse ainda mais desesperançoso que o dia anterior. O pequeno holograma que mostrava as horas, junto a um solzinho sorridente surtia no rapaz uma irritação profunda a qual, em qualquer momento, culminaria em uma desinteressante explosão de raiva. Talvez, fosse a única coisa que mais o irritava antes mesmo de se levantar da cama que, a propósito, era a única mobília em bom estado daquele quarto velho. Um murrão seria o suficiente para desativar aquela porcaria flutuante, era o que o rapaz pensava, embora não pudesse o fazer, até porque a compra de um novo fugiria do seu orçamento deprimente.
– Desgraça de despertador. – murmurava o rapaz.
Virou a cabeça pesada para o lado; contemplava o corpo semicoberto
da companheira enquanto a despertava com dois petelecos na perna. A
mulher inspirou fundo, expirou devagar, ajeitou-se melhor na cama e
tornou a cochilar.
O
rapaz, Aiden (assim como era chamado), tornou a cutucá-la, desta vez
mais forte; ela despertou. Após alguns agrados, a mulher, zonza e
descabelada, correu para o outro cômodo aos cambaleios; Aiden pulou
da cama, trotando para o banheiro. Após longos minutos os dois já haviam se reencontrado à
mesa do café.
O
olhar evasivo mas pensativo de Aiden e o degustar sóbrio da mulher
naquele cereal vencido alimentavam ainda mais aquele silêncio
desconfortante.
–
Você sabe que é hoje, né? – disse a mulher, mal levantando o
olhar para Aiden.
– Sim, termine logo o seu café. – respondeu Aiden.
–
Não temos café.
– Tanto faz.
– Podemos fazer isso um outro dia.
– Café?
– Você sabe do que estou falando, não se faço de sonso.
– Tanto faz.
– Podemos fazer isso um outro dia.
– Café?
– Você sabe do que estou falando, não se faço de sonso.
–
Sim, Eve, eu sei que podemos fazer isso um outro dia, mas, até quando vamos ficar adiando isso? Não, não. Precisamos fazer isso hoje.
–
Você diz que precisamos.
Um olhar vago; após uma longa baforada para cima, Aiden respondeu:
– E o que os Catadores vão pensar de nós? Que somos desertores? Tá pensando o quê? Sem a gente lá, vão cagar no nosso plano, e sabe em quem eles vão descontar toda a merda feita? Na gente, e se isso acontecer, já era o nosso respeito aqui, no morro.
– E o que os Catadores vão pensar de nós? Que somos desertores? Tá pensando o quê? Sem a gente lá, vão cagar no nosso plano, e sabe em quem eles vão descontar toda a merda feita? Na gente, e se isso acontecer, já era o nosso respeito aqui, no morro.
Eve
baforou de volta, quase cuspindo cereal:
–
Respeito… É tudo o que você fala. Sempre a mesma merda. Quê
respeito? Veja as condições em que vivemos, meu amor. Não temos
mais dinheiro, nem para pagar a luz. O despertador é a única coisa
acesa por aqui, e você quer me falar de respeito?
–
É por isso que temos que fazer isso hoje, Eve. Se nem você tá aguentando ficar aqui, imagina eu.
Eve tornou a baixar os olhos; ficou alguns segundos em silêncio, mas logo falou:
Eve tornou a baixar os olhos; ficou alguns segundos em silêncio, mas logo falou:
–
Não gosto disso, Aiden. Acordei com um péssimo pressentimento.
–
Ora, você só está ansiosa. Olhe, se quiser eu posso te dar
cobertura durante todo o tempo.
–
Eu não preciso de sua cobertura, idiota. Se vamos fazer isso,
preciso que você se concentre nos códigos, nada mais do que isso.
–
Com isso não precisa se preocupar, amor. A gente pega a grana e rapa
fora.
Prontamente, Eve desviou o olhar e tornou a comer (com muita dificuldade) o cereal.
– Vou ligar pra Christine. – ela falou. – Dessa vez ela me prometeu que cuidaria das coisas por aqui. Pelo menos, enquanto estivermos fora.
– É hoje que essa merda toda vai mudar, Eve, escreva o que estou te dizendo. – concluiu Aiden, puxando uma tigela de cereal e um revólver para si como se fosse a chave do carro.
[continua...]





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