Conto: Distrópico (Parte 3)
-PARTE III-
Ao fim de um longo quilômetro, o motor do furgão se fez desligado. Estacionaram em uma área escura e mal movimentada, bem onde era depositado o lixo que vinha do prédio. Ao saltarem do carro, o grupo de Catadores se deparara com, se não a maior, uma das maiores edificações que, se quer, haviam invadido. E mal eles haviam chego e haviam se deparado com uma dupla de guardas muito bem equipados que resguardava o local.
Os guardas, é claro, lhes recebera com olhares desconfiados e nada disfarçados. Pudera também, tanto Aiden e Eve como o resto dos Catadores não se mostravam “devidamente nobre” o suficiente para se aproximar daquela área da cidade.

– Vejam, – apontava Aiden. – como lhes mostrei. Eles fazem a ronda exatamente acima da entrada, a qual pode nos dar passagem para os dutos do prédio, bem acima daquelas grades.
– Como a maioria dos lugares dos quais invadimos. – falou Elijah, um dos Catadores. – E este não tem nada de especial. Sempre há uma passagem dessas.
– Todos os caminhos levam à Roma, garoto. – falou Eve.
– Pois bem, Elijah. – Aiden retomou. – Estou vendo que você já está preparado. Não é segredo que você é melhor em combate físico dentre todos aqui. Faça um favor para todos nós e espanque aqueles guardas, sim?
– Fácil, fácil. – respondeu Elijah.
– Apenas tome cuidado e não tente bancar o mestre das artes marciais como fez da última vez. – falou Jesse, outra Catadora.
– E… Elijah, – Aiden exortou. – Use o periférico de impulso que instalei em suas botas. Vamos acabar logo com isso.
– Pode deixar, Aiden.
O garoto respirou fundo; um forte impulso, ele fez. Fora o suficiente para largar como um relâmpago em direção aos guardas. Carregando um bastão de energia, com maestria, e em poucos segundos, Elijah já havia nocauteado os dois guardas. Jesse correu então para eles e os arrastou até a lixeira, a qual descia todo o lixo do prédio, nos fundos. E, sem demora, Aiden e os outros logo correram para se reunir com um Elijah nem um pouco cansado até então. Eles puxaram as grades que cobriam o buraco no chão e acessaram os dutos pelo subsolo.

Aiden guiou o grupo; as passagens eram largas e espaçosas, embora pouco rígidas e que poderiam ceder a qualquer momento. Após um longo “passeio” de quase duas horas, indo e vindo, para lá e para cá, se movimentando da maneira mais minuciosa possível, os Catadores jaziam descoberto e se colocado exatamente acima do setor aonde encontrariam o refrigerador, local onde estariam as drogas. Da pequena janela de ferro do duto, Aiden pôde contemplar um pouco do que estaria disposto a levar com ele. Mas tudo aquilo estava logo depois de uma grande barreira de energia, a qual protegia muito bem todas as drogas e instrumentos do lado de lá do setor.
As luzes estavam apagadas; nenhuma alma rondava a grande sala escura. Com um pontapé preciso, a pequena janela de ferro fora desprendida do cano, abrindo passagem aos Catadores. Aos poucos, um por um fora descendo do cano e se colocando em vigia enquanto Aiden se preocupava em descobrir o código que destravava a barreira de proteção.
– É sua vez, Aiden. – disse a voz feminina. – Você sabe muito bem como desligar a barreira.
– Sim, eu sei. – respondeu ele, de olhos vidrados nos números vermelhos. – Mas esta sequência está um pouco mais difícil do que as que estou acostumado, sabe?
– Se conseguirmos adentrar a barreira, poderemos hackear os resfriadores de combustão das máquinas construtoras. A explosão será imensa, mas as chances de nossa sobrevivência estão acima de 55%.
– Sim, Eve. Tô sabendo. Só me passe a tablet de criptografia e a chave de… Espere! O que?! Mas que merda você acabou de dizer, Eve?
– Eve? Com quem está falando?
Aiden girou a cabeça trêmula para onde vinha a voz; não era Eve, mas um androide, agachado, bem ao lado dele, encarando-o constantemente. Aiden deu um salto tão grande para trás que esbarrou as costas em uma mesa cheia de frascos de vidro. E, ao serem interrompidos pelo ecoante estardalhaço feito pelos frascos, os Catadores voltaram suas armas diretamente para o androide, cuja a aparência esguia e afeminada, mesmo que em demonstrante fraqueza, ainda assim era assustadoramente perturbadora sob a escuridão daquela grande sala, bem como seus olhos púrpuros e brilhantes não transpassavam qualquer sinal de que aquilo de confiança.

– Calma, Aiden! – acudiu Winston, um dos Catadores, se colocando à frente da automata até então paralisada e de expressão duvidosa. – É uma Missionary Sister.
– Uma unidade 0-92 ainda por cima. – completou, um dos Catadores.
– Mas, quê diabos é isso?! – indagou Aiden, ainda ofegante, levantando a mão ao coração.
– É um dos seis exemplares desenvolvidos no Japão. Está fora de linha, é inofensivo. – disse Winston. – Agora, como ela veio parar aqui, no Brasil, ai eu já não sei.
– Ma-Mas ela disse o meu nome! Como ela sabe o meu nome?!
– Apesar de ser uma velharia, esta belezinha vem de uma série de produção muito cara. Logo, ela deve ter sido criada para agir como humanos. Deve ter algum sistema de reconhecimento por rede de informações ou algo do tipo.
– Está me dizendo que esta merda hackeou minhas informações e veio falar comigo como se fossemos conhecidos? Isso tudo em menos de dois segundos?
– Não me culpe, é de linha japonesa, cara.
– Esses asiáticos!
– Aiden! – exclamou Jesse, apontando para uma grande janela que se interligava com outra sala. – Veja!
Era Eve, feita refém por um grupo de guardas. Ainda como sortilégio para eles, do duto de ar, uma fumaça verde e densa começara a surgir. E a fumaça era soprada tão fortemente que, em poucos segundos, jazia consumido todo o setor do laboratório. Como única saída, os Catadores começaram a atirar no vidro; sem sucesso, era protegido pela mesma película de energia que cobria a barreira. E, como era de se esperar, o gás, entorpecente, parecia começar surtir efeito em cada um.


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